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Carta aberta à cultura biker

Fundar um moto clube nunca foi — e nunca será — um ato impulsivo.
É decisão que exige visão, conhecimento da cultura, tempo de estrada, responsabilidade e identidade própria.
O que temos visto, porém, é a banalização desse compromisso.
Trocam-se nomes, mas mantêm-se traços do brasão.
Alteram-se cores, mas preserva-se o desenho.
Fala-se em “novo começo”, enquanto se reproduz quase integralmente aquilo que se dizia ter deixado para trás.
Isso não é fundação.
É sombra.
Quem cria rompe.
Quem copia apenas revela que nunca construiu essência.
O problema se agrava quando o brasão deixa de representar mérito e passa a representar facilidade.
Quando cargos são distribuídos antes mesmo da formação.
Quando diretoria vira oferta informal.
Quando brasões fechados são enviados pelo correio como se tradição pudesse ser despachada em embalagem.
O período de PP, que sempre foi etapa de aprendizado e construção de caráter, hoje é tratado como algo ultrapassado.
Mas não existe atalho para identidade.
Não existe tradição sem processo.
E pior: aceita-se integrante que sequer vive o motociclismo.
Sem vivência de estrada.
Sem entendimento da cultura.
Sem compromisso real.
Colete não é abadá.
Brasão não é adereço.
Moto clube não é grupo de conveniência.
Quando se elimina a formação, elimina-se o respeito.
Quando se prioriza quantidade, destrói-se qualidade.
Quando se busca apenas encher flyer com brasões, esvazia-se o significado do que deveria ser representado.
Infelizmente, muitos que deveriam preservar a tradição acabam legitimando essa superficialidade — batendo nas costas, chamando de irmão, oferecendo apoio em troca de visibilidade.
Mas estrada não se engana.
Ela reconhece quem construiu quilômetro por quilômetro.
Ela distingue quem tem essência de quem é apenas reflexo.
Ela separa tradição de improviso.
Não podemos controlar o rumo de todos.
Mas podemos preservar o nosso.
Seguiremos fazendo a caminhada do jeito certo.
Com disciplina.
Com mérito.
Com identidade.
Porque história não se copia.
Respeito não se compra.
E tradição não se envia pelo correio.
Vida longa aos que constroem de verdade.

Ronaldo Quintela – Moto Clube Tamanduás do Asfalto
Congonhas/MG

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